A empregabilidade após os 45 anos

26 04 2011

Por Luciana Tegon*

Ao chegar aos 45 anos, muitos profissionais tendem a acreditar que não há mais tempo para questionar sua empregabilidade. Para muitos, o fato de estar empregado é o bastante para estar satisfeitos com sua vida profissional. Enganam-se. O Brasil vive uma era de ouro e há muitas oportunidades de crescimento. Com o país nesta cadência, estamos assistindo a um rearranjo profissional de jovens, adultos e idosos, ou seja, as oportunidades surgem para todos.

A partir dessa idade, diversas são as possibilidades. Mas se pessoas com mais de 45 anos têm dificuldade de se colocar, o que fazer?

Existem muitos caminhos a trilhar, como buscar uma recolocação em empresas, atuar como consultor autônomo, empreender em um novo negócio ou investir em uma nova carreira. Parar de produzir é a única opção não convidativa.

Primeiramente, vamos considerar aqueles que optaram por continuar desenvolvendo suas carreiras e buscam recolocação nas empresas. O marco zero é preparar bem a sua “embalagem”. Hoje, a maioria das empresas recebe currículos pelo site. Nada de preguiça nessa hora! Preencher com calma todos os campos do formulário já é um grande passo na sua apresentação.

Com seu currículo devidamente cadastrado nas empresas de interesse, o próximo passo é buscar e candidatar-se a vagas que estejam dentro do seu perfil. Trabalhe e busque seu objetivo todos os dias, para não desanimar.

Daí, você lê este artigo e me pergunta: e as empresas, como nos veem em um processo de recrutamento? Aos olhos delas, as políticas de contratação podem ser cruéis. Definem um perfil que rejeitam profissionais acima de 50 anos, por melhor que seja o currículo. Quando sou chamada para buscar no mercado um determinado profissional, refino ao máximo com o RH as qualificações, experiências e fatores de perfil que o profissional deve ter. Considero a cultura da empresa, as políticas de contratação, o dress code e demais características que esse profissional deve ter para ser contratado. Minha missão é colocar a pessoa certa no lugar certo. Funcionário satisfeito é produtivo e autorrealizado.

Profissionais com mais idade e bagagem são mais maduros, articulados e inegavelmente dão mais trabalho para gerenciar. Seniores têm o gênio “forte”, aguentam menos “sapos”, contestam mais, e para algumas lideranças, é um trabalho que não querem ter. Entretanto, sou grande defensora desses profissionais. Sempre sugiro e demonstro que as oportunidades de trabalho devem ser estendidas a profissionais seniores, pois tenho certeza de que a experiência e a maturidade fazem muita falta, principalmente, nos níveis de comando.

Muito bem, seu currículo está bem feito e agora foi chamado para uma entrevista. A esta altura você já sabe como se portar. Porém, nunca é demais dizer para não mentir, não falar mal do ex-empregador e jamais falar gírias ou tentar criar intimidade com o recrutador. O ambiente é formal e não comporta esse tipo de liberdade.

Sempre aconselho o candidato que, ao final da entrevista, pergunte ao recrutador o que se espera do profissional que ocupará aquela posição. Após ouvir, conte como poderia empregar suas qualificações e experiências na empresa. Você estreita seu laço com o headhunter, torna a entrevista diferenciada e tem mais chances de evoluir no processo seletivo. Em contrapartida, você avalia se aquela vaga lhe interessa, pois se não interessar, aconselho a declinar para não desistir mais pra a frente.

Outra opção para o profissional sênior que queira se manter no mercado de trabalho é a atividade autônoma. Uma vez consultor autônomo, você passa a se preocupar com aspectos operacionais para abrir uma empresa e geri-la dentro dos parâmetros legais, contábeis. Enfim, tudo passa a ser controlado e decidido por você, que está a mercê de suas próprias ações, como divulgar seu trabalho, fazer networking, agendar reuniões, responder a e-mails, fazer propostas, etc. Se eu fosse sugerir um roteiro para um profissional que está se lançando em “voo solo”, seria:

•Abra uma empresa e enquadre-a no regime Simples, que tem percentual reduzido de tributação. Discuta com seu contador e explique o que fará;

•Faça um web site simples e objetivo apresentando seu serviço ou produto;

•Capriche nas redes sociais, mas não exagere. Seu perfil deve ter uma foto sua, sorrindo de preferência e atributos bem escritos;

•Contar com boas referências em empresas que prestou serviços faz toda a diferença para futuros trabalhos. Cheque com suas referências se você pode mencioná-las no seu site;

•Defina uma estratégia de curto, médio e longo prazo para o seu negócio. Navegar em um barco sem rota é sempre mais difícil;

•Defina um orçamento para o seu negócio, um business plan. Surpresas e sobressaltos são inevitáveis, mas planejar, quando autônomos, traz mais tranquilidade;

•Identifique potenciais clientes, busque contatos na sua rede de relacionamentos, faça uma apresentação de seus trabalhos ou um e-mail convite para conhecer seu site;

•Revise seu guarda-roupa. Elas estão adequadas ao dress code da sua nova carreira? Se você era um alto executivo e usava terno, pode adotar um visual menos formal, que te apresentará melhor em oportunidades em que seja exigida sua presença;

•Leia e se atualize em marketing pessoal, automotivação, empreendedorismo e tudo sobre aqueles que gerem seu próprio negócio. Conhecimento é fundamental e transmite segurança.

Outra alternativa para os profissionais maduros é iniciar uma nova carreira. Para isso, é necessário que você avalie seu histórico profissional, identifique a área que gostaria de atuar, as profissões que o mercado está absorvendo e até uma avaliação psicológica identificando seus anseios versus suas habilidades.

Se você está empregado, mas pretende iniciar outra carreira, prepare-se gradativamente. Leia, estude, conheça, faça cursos sobre sua nova profissão. Busque oportunidades de fazer esta transição de forma tranquila, já que seu sustento não está comprometido. Agora, se está desempregado, a situação é outra. A primeira regra é gastar o mínimo possível. Assim, cuidado com a empolgação ao montar um negócio. Esteja preparado para os primeiros doze meses do seu novo negócio.

Uma coisa é fato, em países desenvolvidos ou em desenvolvimento, como o Brasil, as oportunidades de trabalho aumentam a cada ano. Esteja atento às novas profissões, às áreas que estão com demanda de profissionais e encontre seu caminho. Cursos técnicos de curta duração facilitam um emprego em outras áreas. Se você já passou dos 45 e inicia uma nova carreira, aposte em um curso técnico para empregar-se rapidamente. Uma vez empregado, você pode ampliar seus conhecimentos e galgar posições mais altas.

Como eu sou eternamente otimista, sempre acredito no potencial humano. Se não está feliz, antes arriscar e iniciar uma nova carreira do que insistir em levantar todos os dias para trabalhar em alguma coisa que você não gosta. Coloque na balança os aspectos positivos e negativos e tome sua decisão. Fazer algo sem motivação é meio caminho para o insucesso. Pense, pense e pense!

*Luciana Tegon é ombudsman da Elancers e sócia da Consultants Group by Tegon

Fonte: http://www.abrhnacional.org.br/component/content/article/103-artigo-4.html


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