Planejamento de carreira, essencial para empresa e colaboradores

12 01 2011

por Fernando Mantovani *

Em uma entrevista com um jovem profissional de 27 anos, recém-promovido a gerente de uma multinacional, perguntei qual seria o próximo passo de sua carreira. “Ser diretor”, respondeu. Ao pedir para calcular o tempo que essa ascensão de posto levaria, ele disse que gostaria de estar em um cargo de direção dentro de três ou quatro anos. Depois ele gostaria de ficar quatro ou cinco anos no cargo de diretor e, então, estaria pronto para uma vice-presidência. Após mais cinco anos, ele já seria um profissional experiente o suficiente para ser um CEO de uma empresa.

 

Ao fazer as contas, mostrei para esse profissional que, se tudo seguisse como planejado, aos 40 anos ele estaria em um cargo de presidente e passaria os próximos 20 anos assim. Seria uma boa trajetória? Acostumado a sempre ser promovido em três ou quatro anos, ele suportaria passar os próximos duas décadas sem esse desafio pela frente? O jovem percebeu que o planejamento de carreira deveria ser algo além de “subir de posto” e que aprendizado e experiências também deveriam fazer parte de seus planos para o futuro.

 

Observando o mercado de trabalho de média e alta gerência hoje, percebo que os jovens profissionais sofrem com a falta de planejamento de carreira. Em contrapartida, sofrem também as empresas onde essas pessoas trabalham, já que precisam lidar com um turnover alto, ansiedade de seus executivos e uma grande necessidade de formar colaboradores que sejam seus futuros líderes.

 

Apesar de pouco praticado, o planejamento de carreira é uma ação essencial para definir os passos que se deve seguir na vida profissional. Nesse ponto, a empresa em que o profissional trabalha pode e deve colaborar com esse planejamento, levando em consideração seu perfil comportamental e potencial. Gestores e chefes, além de exemplos para seus subordinados, podem ser conselheiros e parceiros nesse processo. Além das opções que já fazem parte dos programas de desenvolvimento de carreira de diversas empresas, como counseling, coaching e treinamento de novos líderes, os gestores podem orientar e direcionar sua equipe no dia a dia de trabalho.

 

Jovens que já se consideram experientes e estão preocupados em sempre crescer na carreira devem ser desafiados constantemente. Um novo cliente, uma tarefa difícil ou até mesmo uma crise muitas vezes mostram que ainda não se aprendeu o suficiente. O trabalho de equipe e a diversidade de pares também podem agregar na carreira desse profissional. Na prática, essas ações revelam ao executivo a necessidade de aprender e passar por experiências importantes para estar preparado para a promoção.

 

Planejar a carreira é uma decisão individual e racional, que determina um caminho único para cada profissional. Porém, a empresa e os gestores podem ser grandes parceiros nesse processo.

 

*Fernando Mantovani é diretor da Robert Half, líder mundial em recrutamento especializado

 

Fonte: http://revistavocerh.abril.com.br/noticia/especiais/conteudo_554805.shtml

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