Dez motivos pelos quais a Geração X está infeliz com a profissão.

3 12 2010

A maior parte daqueles que fazem parte da geração X (pessoas de 30 a 40 anos de idade), não se sente ameaçada pela vida corporativa. Tendem a não acreditar nas instituições em geral.

As empresas necessitam muito dos profissionais da Geração X – pessoas de trinta a quarenta anos de idade – que devem exercer cargos de liderança nas corporações nas próximas duas décadas. Muitas empresas, no entanto, estão dando como certo poder contar com esse pequeno e precioso grupo de profissionais.

A maior parte daqueles que fazem parte dessa geração não se sente ameaçada pela vida corporativa. Tendem a não acreditar nas instituições em geral e magoam-se profundamente com as premissas que pressupõem que se motivam pelas mesmas razões que a geração dos boomers (pessoas nascidas logo após a Segunda Guerra Mundial) se motivou. Planejam deixar a vida corporativa em breve para iniciar algum empreendimento ou trabalhar em empresas pequenas, opções que se encaixam melhor, para eles, que os papéis corporativos que necessitarão assumir.

Por que a geração X encontra-se desconfortável com a vida corporativa?

  • a carreira demorou para decolar: muitos ainda sofrem com isso. Graduaram-se quando a economia estava em crise e os boomers já tinham ocupado a maioria dos cargos importantes. A Fortune, em 1985, disse: “A Geração X está achando a vida, na fronteira profissional, mais difícil do que jamais achou… encontram-se parados no trânsito demográfico… presos e enfrentando a oferta de graduados da década passada.”
  • quando eram adolescentes, viram adultos serem demitidos das grandes corporações: o termo reengenharia passou a fazer parte do universo das empresas. Isso causou uma sensação de falta de credibilidade nelas e um forte desejo de preencher a vida com “planos B”, só para garantir. Muitos desses adultos, que foram vistos por esses então adolescentes, estavam sendo demitidos quando tinham em torno de quarenta anos – aproximadamente a idade que hoje possuem aqueles que fazem parte da Geração X.
  • planos de carreira estreitam-se no topo: a gama de opções perceptíveis diminui à medida que os profissionais tornam-se cada vez mais especializados nas funções ou atividades. A sensação de ter um plano de carreira que se afunila e o aumento da vulnerabilidade dele é mais palpável na transição de cargos de média gerência para de alta gerência, exatamente o ponto onde a grande maioria dessa geração encontra-se hoje.
  • a economia estava em crise quando a carreira estava se iniciando: além disso, justo agora que eles estão assumindo papéis de liderança, as dificuldades voltaram a ser maiores e os próprios papéis a desempenhar estão mais vulneráveis do que em qualquer momento da década passada.
  • a incômoda Geração Y: muitos pertencentes à Geração X agora devem atuar como gestores da Geração Y. Sejamos sinceros: é uma missão impossível, ao menos se definirmos “gerir” como controlar seus canais de comunicação. Ao mesmo tempo que os indivíduos da “Y” competem por promoções e tentam “aparecer bem na foto”, muitos da Geração X acham que os da Y dão conta de fazer várias coisas ao mesmo tempo. E isso os incomoda.
  • a Geração X, na realidade, está cercada por um ambiente descontraído, mas que não é para ela: os boomers e a geração Y estão aprendendo um com o outro – e gostando disso. A Geração X sente-se deixada de lado.
  • a Geração X é o grupo mais conservador da força de trabalho: além disso, são cercados por tipos cool de ambos os lados. Na vida pessoal, essa geração não é particularmente fã de regras mas acha que, no trabalho, elas devem ser cumpridas – e se ressentem quando outros não fazem o mesmo. Soa injusto a eles que a etiqueta na corporação seja reescrita, considerando que essa geração teve que obedecer a sistemas rígidos por tanto tempo.
  • indivíduos da Geração X guardam um segredo a sete-chaves: eles não se sentem nada confortáveis, ao contrário do que pensam, com a tecnologia, que muda a maneira como as coisas são feitas. Para os boomers, é considerado aceitável dissimular ignorância e pedir ajuda, mas é embaraçoso para a Geração X fazer o mesmo.
  • os colegas da geração boomers são inoportunos: a Geração X acha exagerado o grau de interações que os pais boomers, dos subordinados da Geração Y, realizam, e a maneira como são ignorados em função da constante presença deles no ambiente de trabalho dos filhos.
  • a pressão pelos deveres paternos está no ápice: a Geração X é mais comprometida em despender mais tempo com seus filhos que os pais dela eram, mas isso está ficando cada vez mais difícil.

Seria o momento de eles descerem do vagão corporativo?

Esperamos que não – ao menos para boa parte deles. As corporações precisam muito da liderança que essa geração pode exercer. O que falta é elas criarem um ambiente corporativo que a conduza de forma mais concreta à realização de suas necessidades e materialização de suas preferências.

Por Tammy Erickson

Fonte: Harvard Business Review
HSM Online

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5 responses

3 12 2010
ENY DE OLIVEIRA

Adorei este texto. As empresas precisam definir o que querem ser, quais pessoas devem estar no seu time e como lidar com essas diferenças que acabam transformando o ambiente num verdadeiro campo minado.
Eu acredito que a linha mestra para todos os envolvidos são os valores que as empresas ainda não aprenderam a praticar corretamente. Os executivos devem em primeiro lugar sentirem que estão encaixados naquele contexto, valorizados pelos seus talentos e recompensados pelo seu empenho. O que ocorre geralmente é o contrário.

3 12 2010
Rh Automotive

Eny Oliveira
GRUPO DE EXECUTIVOS DO BRASIL / BRAZIL – Linkedin

Muito boa essa colocação. Sou da geração X e trabalho bastante com a geração Y. Eles são ótimos, mais leves e descompromissados. Temos muito o que aprender com eles e as empresas realmente precisam dessa interação . Nós da geração X somos importantes para as empresas mas podemos sim escolher o que queremos fazer de agora em diante. O mercado permite isso. Cabe às empresas saberem como vão lidar com isso.

4 12 2010
jocax

Olá Eny,

O que eu vou escrever a seguir não é uma crítica a vc, mas sim a toda uma massa de pessoas que trabalham em RH e tem por hábito [péssimo e imoral] classificar e discriminar pessoas por faixa de idade.
É o seguinte: neste país essa massa acima citada gosta de “carne fresca” para sugar e depois quando os “ex-carne fresca” estão lá na faixa dos 50 a 60 anos, os deixam ao léu, justificando essa atitude com os mais variados “argumentos [?!]” que nunca tem o menor fundamento real e prático.
Bem… se de um lado a tendência da população na medida em que a qualidade de vida melhora é viver mais, a aposentaria também de acordo com a vontade do governo acontece mais tarde.
Porém, nesta realidade tem um elemento rebelde, que insiste em negar essa realidade e que é discriminador por excelência, isto é, a massa que trabalha em RH, que orientados ou não pelos magníficos empresários brasileiros, simplesmente recusam e tem nojo e verdadeira ojeriza manifesta como preconceito por idade contra esses profissionais que são a verdadeira reserva inteligente da sociedade industrial brasileira.
Por outro lado essa situação é intrigante, pois como pode uma pessoa agir contra um grupo do qual irá fazer parte no futuro ?!?!?!
O fato é que hoje quase 1 em cada 4 brasileiro estão na faixa dos 45 a 60 anos e destes cerca de 25% por cento estão desempregados única e exclusivamente devido ao preconceito dessa massa de RH e maus empresários que insistem em falar, escrever sobre assuntos que não estão inseridos na realidade social.
Depois estas empresas, onde trabalham essa massa de RH e capitaneadas por esses magníficos empresários, propagam aos 4 cantos que são certificadas na norma X, Y, Z e usam a última tecnologia para produção etc e tal, mas se esquecem do básico, ou seja, que são parte de uma sociedade de humanos e que serão avaliados pelo seu deempenho [como adoram dizer] enquanto parte dessa sociedade.
Até agora, todos vocês foram reprovados neste aspecto e com os mais altos deméritos.
Deve haver uma legislação sobre esse assunto, tenho certeza.
E eu, que tenho 52 anos cansado de discriminação infundada por idade tenho denunciado a procuradoria de justiça do ministério do trabalho as empresas que praticam esse preconceito.
Mas vou procurar outras formas mais eficazes de fazer essas denúncias.
Era isso que tinha a dizer sobre o comportamento de vocês de RH e essa turba de maus empresários que se julgam acima da ética e moral que se espera de um ser humano.

10 12 2010
Robson Lelles

Um dos posts mais lúcidos que li nos últimos meses.
Chega a ser um alívio perceber que mais alguém também está enxergando a Geração X como o marisco da vez, açoitado entre o mar e as pedras.

29 03 2011
Renato

Mais um texto equivocado que só servirá para trazer mais polemica do que ajudar neste processo. Quando vamos parar de tentar classificar as pessoas desta forma. Sei que este pocisionamento te chocar, pode ter certeza que vc também já está alienado. Vamos sair deste modismo e apenas entender que existem pessoas com objetivos, desejos e necessidades. Vamos investir nosso tempo em algo que realmente possa contribuir.

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