Você está preparado para ter um chefe mais jovem do que você?

1 06 2010

por Julio Sergio Cardozo
Colaborador do Monster

Hoje pela manhã recebi o telefonema de um grande amigo que assumiu a presidência de importante grupo de varejo do país. Uma notícia que até então poderia ser comum se não fosse o fato dele atingir o topo com apenas 36 anos. Seu maior desafio, aliás, tem sido comandar uma equipe de executivos que já beiram os 45 ou mais.

“Logo que entrei enfrentei minha primeira prova de fogo. Um deles quis testar minha competência na hora de tomar uma decisão delicada”, confessou-me. Sua experiência, entretanto, não é e nem será a única. Cada vez mais cedo os profissionais vêm conquistando postos de comando, ao mesmo tempo em que parte da geração Y começa a experimentar o gostinho do poder. Dados da consultoria Hay Group apontam que no Brasil cerca de 20% de jovens com menos de 30 anos já ocupam cargos de chefia.

Fenômeno que vai impactar de forma irreversível a relação entre chefes e subordinados. Aí faço as seguintes perguntas: Será que um chefe jovem está preparado para liderar equipes mais velhas? Ou até que ponto um profissional com invejável bagagem no currículo aceita ser comandado por quem ainda não viu o filme todo?

Não há dúvidas que poucos terão a coragem de assumir o quanto se sentem desconfortáveis. Ouso dizer que embora muitos afirmem não ver problemas, eles serão velados, provocando atritos irreparáveis. Pode até rolar uma discreta sabotagem.

Lembro-me de outro amigo executivo – na época com quase 50 anos – que pediu demissão quando soube que o novo diretor da sua área tinha 17 anos a menos que ele. Mesmo sem ter para onde ir, preferiu largar um emprego bacana por temer futuros problemas.

Uma pesquisa realizada pela consultoria Lens & Minarelli há alguns anos, envolvendo 250 executivos, mostrou que mais da metade já teve um chefe mais jovem. Desse total, 63,9% revelou ter enfrentado algum tipo de dificuldade de relacionamento.

Nada contra jovens talentos estarem assumindo posições de chefia, muito pelo contrário. Mas é preciso reconhecer que uma grande maioria não possui maturidade suficiente para lidar com situações de extremo grau de estresse, contam com uma carga emocional adversa e ansiedade à flor da pele que os impede ter discernimento do que é bom senso (nas clínicas de planejamento da vida há relatos de CEO jovens que se refugiam no banheiro para chorar de desespero!).

Entre as diversas credenciais necessárias para um verdadeiro líder está exatamente o bom senso adquirido por meio da experiência. O chefe jovem tem pouca milhagem e, portanto, alguns mostram uma visão equivocada do que é preciso decidir rápido. Já ouvi alguns talentos da geração Y dizer: “Os mais velhos são muito lentos para decidir, ficam remoendo o assunto e perdem o “timing” por conta disso”. Infelizmente, acabam confundindo rapidez com ponderação e não raro erram feio em suas decisões.

Claro que toda regra tem sua exceção. Quando encontramos chefes jovens dotados de grandes habilidades para tomar decisões, precisamos tirar o chapéu. A estrada é longa e o desafio para aqueles que estão experimentando o poder tão cedo consiste em ter coragem e humildade necessárias para entender que quanto mais se aprende menos se sabe.

A imaturidade leva à arrogância, autoritarismo, descontrole, insegurança, impaciência e competitividade exarcebada. Aspectos que precisam ser olhados com cuidado por quem está no início da vida profissional. Se você faz parte da geração Y precisa se preparar para ocupar cargo de chefia e comandar os mais velhos.

Já para quem acumula uma bela trajetória profissional, saiba lidar com esse novo cenário que desponta. Há pontos positivos de uma liderança jovem que somados à sabedoria de executivos tarimbados resultarão em um modelo de gestão equilibrado. Todos sairão ganhando.

Retirado de: http://www.monster.com.br/artigos/Voc%C3%AA-est%C3%A1-preparado-para-ter-um-chefe-mais-jovem-do-que-voc%C3%AA?/

CEO , Julio Cardozo
www.cardozo-group.com.


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9 responses

2 06 2010
Alberto

Julio,

Não vejo problema em um superior mais jovem. O problema reside em superiores pouco capacitados para a função e imaturos e isto não é uma tradução direta da idade.

abs

4 06 2010
Rh Automotive

Eu estou…seria um must ter um chefe mais jovem! devemos estar abertos ao novo e aos jovens líderes!
abçs

Regina Stella Spagnuolo – Grupo Profissionais da Saúde – Linkedin

4 06 2010
Rh Automotive

A questão não é cronológica, mas sim de competência e talento, considerando que a sua ascenção até o posto de liderança tenha sido construida baseada destes atributos e não por qualquer outro tipo de favorecimento. Seguindo esta orientação, não haverá questionamentos relacionados com idade/sexo/raça ou qualquer outro tipo de agente discriminatório.

PAULO HONDA – Grupo Profissionais da Saúde – Linkedin

4 06 2010
Rh Automotive

Jefferson, na minha carreira estive nas duas situações, reportei a profissionais mais jovens e tive subordinados com mais tempo de empresa e mais idade, e não vi nenhuma dificuldade. Devemos nos prender ao profissionalismo, competencias, habilidades e respeito mutuo. A amizade é muito importante quando não se esquece os demais pontos citados.
Abraços.

Silvio Trinca – Grupo Michael Page Brasil – Linkedin

4 06 2010
Rh Automotive

Caro Jeferson,
Tambem concordo com o amigo Silvio pois tambem ja trabalhei com chefes mais jovens e liderei pessoas mais velhas e lidei muito bem com isto mas, pergunto: “Os chefes de hoje estão preparados para trabalharem com funcionarios mais velhos?” Porque quando se contrata alguem coloca-se no anuncio da vaga um limite de idade ate 40/45 anos? Será que os novos executivos sentem-se inseguros em contratar “seniors” que; em algumas situações; sabem mais que eles ? Ou é puro preconceito? Será que eles acham que não vão envelhecer ?
Não seriam estas atitudes que fazem com que hoje existam muitos “chefes” e poucos “lideres” ?
Abraços

Sergio Diana de Bonilha – Grupo Michael Page Brasil – Linkedin

4 06 2010
Rh Automotive

Ola Sergio e Silvio,

Realmente esta é uma questão delicada em nossos dias de hoje.

Os 2 pontos levantados por ambos, são de extrema importância e requerem uma atenção especial.

As duvidas levantadas pelo Sergio, são temas que vem sendo discutidas diariamente entre os gestores, Rh´s, e inclusive em conferências.

O real motivo deste corte de idade, creio que dificilmente iremos saber, entretanto, através de minha experiência creio, que um profissional mais novo, ter subordinados mais velhos que ele, traz insegurança. Hoje em dia os cargos são conquistados por diversos fatores, mas poucas vezes por competência.

Aquele profissional competente, dificilmente se sentirá intimidado pelos profissionais mais velhos, e vice e versa, pois ambos se respeitaram, cada um no seu job e em suas habilidades.

Afinal a equipe terá que girar em 360º para realizar um grande trabalho e trazer resultados a organização.

Grande abraço.

Jefferson Ricardo

7 06 2010
Rh Automotive

Com certeza, eu acho que se a pessoa tem potencial, perfil de liderança e saiba equilibrar a equipe em busca do bem estar e resultados, não tem problema nenhum…. As empresas hoje devem dar liberdade a novas frentes..

Michel Dziewanowski – Grupo Comunicação e Marketing Brasil – Linkedin

7 06 2010
Rh Automotive

Jefferson vc resumiu muito bem os comentários anteriores e concordo com vc.
Eu estive ( e estou ) vivenciando as duas condições. Nunca tive problemas o que vale é a transparência e a competência em gerar resultados.
Abraços!

Edivaldo de Fabio, PMP, ITIL – Grupo Michael Page Brasil – Linkedin

7 06 2010
Rh Automotive

Eu me considero preparado para trabalhar com gestores e subordinados mais jovens, mais velhos, homens, mulheres, etc. Concordo com todos os comentários e também acredito que o importante é o respeito mútuo, pela trajetória, competência e habilidades de cada um. Pude observar em muitas situações que presenciei, que alguns jovens gestores, em plena ascensão na organização, sentem-se ameaçados por qualquer coisa. Ao contratarem subordinados, tendem a optar por perfis menos “ameaçadores”. Deixam de lado o resultado do trabalho e passam a gerir suas áreas como uma organização independente, onde ele é o “big boss”. Cabe às organizações, estabelecer limites, treinar e reforçar (e cobrar sistematicamente) a idéia de que as necessidades da organização como um todo são mais importantes que os objetivos individuais.

Luiz Sergio dos Santos – Grupo Michael Page Brasil – Linkedin

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