Os 7 pecados capitais: permanecer por tempo excessivo na mesma posição

11 05 2010

*Gutemberg B. de Macêdo

“Um dos atributos essenciais de um líder é ter suficiente confiança em si mesmo para poder admitir seus próprios erros; é saber que estes não serão a sua ruína”.
Harold Geneen, ex-presidente da ITT

A escolha de uma organização é uma arte no complexo processo de carreira de um profissional. Não obstante, observamos o desconhecimento que, muitas vezes, cerca diversos profissionais por ocasião da tomada de tal decisão. Mas, mesmo que acerte ao entrar, o profissional tem de acertar ao sair, principalmente ao sair.

O terceiro erro capital na carreira de um executivo é a longa permanência na mesma posição. Por longa, entenda-se um período superior a três anos e meio, exceto para aquele executivo em posição de plena liderança.

A justificativa para tal conclusão é muito simples. A sabedoria gerencial demonstra que se um profissional não atinge uma posição de proeminência até os 40 anos de idade, suas chances diminuem significativamente. E mais: a carreira profissional está definida aos 32 anos de idade.

*Preparação, dos 17 aos 24 anos;
*Progresso, dos 25 aos 34;
*Consolidação, dos 35 aos 42;
*Plena liderança, dos 43 à aposentadoria.

Esses são os parâmetros do mercado, e a perda de tempo significará em aumento e a complexidade das dificuldades, que o impedirão de atingir um posto de plena liderança. Um estudo conduzido pela firma Berndtson International, em 13 países da Europa, concluiu que as empresas, cada vez mais, dão preferência aos mais jovens. Assim, executivos com idade compreendida entre 27 e 34 anos representam 66% na Espanha, 41% na Grã-Bretanha, 32% na Alemanha e 53% na França. Por outro lado, os grupos com idade de 35 a 44 e 45 a 54 diminuem em todos os países, exceto na Grã-Bretanha.

No Brasil, a situação não é diferente. A cada dia, tomamos conhecimento do número crescente de profissionais jovens que assumem importantes posições nas organizações, tanto de grupos genuinamente brasileiros quanto de multinacionais aqui instaladas. Apesar de não existir um estudo mais aprofundado e específico sobre a realidade brasileira, os indícios apontam para a manutenção, aqui, dos padrões internacionais, sublinhados pelo fato de a população brasileira apresentar média de idade inferior a dos europeus ou norte-americanos.

O fato é que a realidade da carreira profissional vem sofrendo mudanças profundas e velozes. Hoje, ela começa mais cedo e também termina mais cedo. Aqueles que não estiverem atentos a esse novo mundo poderão queimar sua carreira, como bem ilustra a história do sapo que, por comodismo e falta de percepção, se deixou cozinhar em um recipiente de água gradualmente aquecida. Na clássica experiência biológica, ao ser colocado numa panela de água quente, o sapo imediatamente pula fora. No entanto, quando posto numa panela de água fria, gradativamente aquecida, ele tende a morrer cozido. O aquecimento gradual no primeiro momento gera conforto, e ele se adapta progressivamente à temperatura em elevação, perdendo a noção do risco que corre. E, precisamente no momento em que mais necessita de energia para pular fora da panela, falta-lhe a percepção crítica da realidade que o cerca e, principalmente, o impulso decisivo para reagir e escapar do fim trágico que o espera.

Muitos de nossos profissionais, a exemplo do sapo, tornam-se insensíveis às mudanças a seu redor. Em outras palavras, eles têm noção de que a temperatura da água está se elevando; apenas não percebem que a acomodação amortece a percepção dos riscos que correm, e sem consciência clara sobre os limites do perigo iminente, deixam escapar o momento certo para pular fora.

A realidade desses indivíduos, na maioria das vezes, beira à depressão. Eles sabem que não podem subir além do que alcançaram. Sabem também que em essência são responsáveis pela própria situação, o que gera sentimentos de culpa, derrota e frustração que, se não forem superados, acabarão por prejudicá-los ainda mais.

O que fazer?

As soluções precisam ser radicais, individuais, corajosas, cheias de desafio e oportunidade. Muitos optam por um negócio próprio, em geral uma consultoria. Colocando de lado as nuances e o significado de atitudes desse gênero, as soluções dentro do sistema têm de ser mais globais. Entre elas:


  • As organizações têm de repensar sua cultura, de maneira a proporcionar àqueles que atingiram o limite de sua competência o respeito que lhes é devido e a oportunidade de gerenciarem novos desafios;

  • Os líderes nas empresas têm de ser honestos e cooperativos, a fim de motivar e valorizar os estagnados, quando isso não comprometer o desenvolvimento dos negócios e não bloquear o florescimento dos mais jovens;

  • O profissional bloqueado em sua posição tem de confrontar o problema – esquecer as ambições frustradas, gerar novos projetos de vida que não se limitem apenas ao da própria promoção. Deve manter-se atualizado e realizar seu trabalho da melhor maneira possível, sem queixas e ressentimentos;

  • Ele deve tirar proveito de seu treinamento e experiência para desafiar continuamente a si mesmo e procurar crescer em direção a atividades que lhe proporcionem satisfação espiritual e adequada compensação;

  • Compete ainda ao executivo conscientizar-se de que o tempo é fator estratégico no processo de sua carreira;

  • Indagar honestamente a si mesmo sobre as razões pelas quais foi preterido em processos anteriores de promoção – isso muitos fazem, o mais difícil é corrigir as próprias deficiências e fazer as mudanças necessárias;

  • Explorar todos os caminhos dentro da organização em que estiver no momento; às vezes, as melhores oportunidades se encontram na própria empresa.

Qualquer profissional que visa crescer numa organização tem de saber o seu timing: quando mudar, quando persistir e quando aguardar. Por outro lado, tem de compreender que o mesmo nível de energia despendido durante esse longo caminhar terá de ser usado para mantê-lo no topo. Um bom truque é imaginar a posição atual como um pódio, não como um trono. O trono pode se parecer com a panela que cozinha o sapo. No pódio, após uma conquista, fica-se de pé; a comemoração é curta, não há tempo a perder, e como a vida continua, o mais sensato é pular logo fora e começar imediatamente a se concentrar na estratégia da próxima corrida.

Fonte: http://empregocerto.uol.com.br/info/dicas/2010/05/03/ult7031u486.html

Equipe Rh Automotive


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