Headhunters – parceiros ou inimigos na busca de um novo emprego

5 05 2010

“Assim como é impossível transformar uma pedra comum em um diamante valioso, assim também não se pode fazer de um candidato inadequado e medíocre um grande executivo, por mais intenso que tenha sido o seu treinamento”.
Barnett C. Helzberg, Jr., “What I learned before I sold to Warren Buffett”, 2003

A atividade profissional conhecida como “hunting” é tão antiga quanto as mais primitivas organizações políticas e sociais. Podemos traçar a sua origem histórica às cortes egípcias dos faraós, a incipiente organização do povo judeu no deserto, aos palácios babilônicos e as cortes imperiais chinesas, entre tantas outras.

Nos dias atuais, os “headhunters”, também conhecidos como “recruiters”, “brokers of the job market” e “executive search consultants”, ocupam papel de extrema relevância para as organizações, seus executivos e para os profissionais em transição de carreira. Afinal, muitas vezes, são eles os responsáveis diretos pela identificação e o recrutamento dos melhores profissionais no mercado de trabalho.

As empresas, como muitos sabem, têm os seus motivos para contratá-los: a confidencialidade do processo seletivo; o acesso rápido a um amplo e rico pool de candidatos, inclusive oriundos da concorrência; maior objetividade na definição da posição a ser preenchida; uma avaliação isenta e sem favorecimento de candidatos; visão, conhecimento e expertises abrangentes no mercado de trabalho, entre tantos outros.

Nesse caso, é de fundamental importância que os profissionais em transição de carreira, não importam os motivos de sua transição, saibam como eles operam, quais são as suas reais limitações, que tipo de influência e poder exercem por ocasião da apresentação dos candidatos a seus clientes, quanto cobram pelos seus serviços, que tipo de profissionais despertam sua atenção e interesse, entre outras questões vitais. Esse conhecimento, por si só, poderá, entre outras coisas, evitar inúmeros equívocos e erros comumente praticados até mesmo por profissionais experientes e maduros em sua busca por nova posição no mercado; guiá-los e ajudá-los por ocasião de sua abordagem a esses profissionais e se valerem de seus serviços de maneira mais inteligente e eficaz.

Caro leitor, aqui convém lembrá-lo sobre algumas questões importantes, porém pouco compreendidas pelos profissionais quando em busca de nova posição:

1. Os “headhunters” não trabalham para você, mas para as empresas clientes. São elas que pagam os seus honorários profissionais. Portanto, não espere que o headhunter lhe preste ajudas, favores ou lhe ofereça uma grande oportunidade profissional. Você é uma “mercadoria” para ele. Portanto, é você quem tem a responsabilidade de viabilizar como um produto vendável. Além disso, não procure por lealdade ou comprometimento deles em relação a sua carreira profissional. Você nunca os terá, por mais corteses, educados e éticos que eles sejam. É inegável que os bons headhunters muitas vezes versam sobre esses assuntos com candidatos e os tratam como clientes. Entretanto, o seu verdadeiro compromisso e lealdade é para com as empresas clientes, pelo menos enquanto elas tiverem lhe dando novos negócios.

2. Eles não têm nenhum compromisso com a gestão de sua carreira. Essa é uma responsabilidade apenas sua. Eles são membros de uma organização como qualquer outra e o seu objetivo é fazer negócio – ganhar dinheiro. Não se iluda. Portanto, se você foi escolhido para determinada posição, por intermédio de um headhunter e depois descobriu que empreendeu uma mudança errada, não o culpe pelo seu fracasso. É bem provável que você tenha avaliado mal a empresa e a posição. Esse é um ponto extremamente relevante para ter em mente.

3. Esses profissionais preferem procurar a serem procurados. Frequentemente, escuto profissionais comentarem em meus escritórios: “liguei para tal e tal empresa de hunting, mas os consultores nunca atendem ou respondem aos meus telefonemas”. O que esses profissionais esquecem é que para os headhunters tempo é dinheiro. E, mais ainda, eles preferem trabalhar com aqueles indivíduos que preenchem todas as qualificações e exigências de suas empresas. Portanto, eles não querem correr nenhum risco e, muito menos, desperdiçar tempo entrevistando profissionais cujo histórico profissional não se coaduna com as expectativas.

4. A melhor hora para abordar um headhunter é quando você está empregado e bem empregado. Isto é, quando todas as luzes dos holofotes estão viradas para você. Ele precisa de você, mas você não necessita dele. Isso não significa que você tenha de ser arrogante com ele, não atenda ou não responda aos seus telefonemas. Muito pelo contrário. Você deve atendê-lo sempre, não importa a hora ou a circunstância, até porque você não sabe se terá uma segunda oportunidade para conversar com ele depois. Aqui está a sua chance de se posicionar e avaliar o valor de seu passe no mercado de trabalho. Ao longo de minha carreira tenho visto inúmeros profissionais desperdiçarem boas oportunidades de trabalho simplesmente porque não se deram ao trabalho de atender o telefonema de um headhunter quando estavam empregados.

5. Como em toda e qualquer profissão, existem os profissionais de “hunting” que são desonestos, anti-éticos, despreparados, mal educados e que submetem currículos falsificados e referências profissionais forjadas de candidatos a seus clientes. Fuja desses farsantes, falsificadores e estelionatários. Nesse caso, se eles o abordarem e desejarem cobrar de você, a fim de apresentá-lo a uma empresa cliente, saia de sua sala imediatamente e vá à delegacia de polícia mais próxima e os denuncie.

6. Eles, ainda, por princípio e ética profissional não tratam com profissionais de empresas clientes sobre oportunidades de trabalho. Portanto, se você trabalha para um de seus clientes não os coloque em situação embaraçosa. Seja profissional.

Caro leitor, aqui estão algumas recomendações que poderão ajudá-lo na construção de uma relação saudável, duradoura e verdadeiramente profissional com headhunters:

1. Mantenha-se visível no mercado de trabalho. Faça parte de uma câmara de comércio, de um sindicato patronal, de um clube de executivos, entre inúmeras outras organizações. Relacione-se!

2. Tenha e defenda uma causa. Manifeste suas ideias mesmo que algumas delas contrariem outras pessoas ou opiniões. Seja você mesmo. Diferencie-se de todos os outros candidatos.

3. Escreva artigos inteligentes para os jornais e as revistas mais importantes de sua cidade, região ou país. Dê uma contribuição intelectual, por menor que ela seja. Agora, cuidado para não plagiar os textos alheios e publicá-los como seus. A sua reputação será destruída tão logo seja descoberto o seu plágio.

4. Torne-se fonte de referência para jornalistas especializados em sua área de trabalho. Todos eles estão ávidos por boas notícias. Se você as tiver, não as guarde apenas para você mesmo. Ligue para um jornalista com credibilidade e pergunte se ele tem interesse em ouvir a sua história.

5. Tenha o seu currículo sempre atualizado. Tome nota de todas as suas realizações e conquistas – não esqueça os números. Esteja sempre preparado para dissertar sobre eles, suas qualificações e suas realizações mais importantes.

6. Sempre que oportuno, envie aos headhunters que conheceu durante processos seletivos dos quais participou ou com os quais cultiva bom nível de relacionamento, um livro interessante ou algo do gênero. Faça isso com certa regularidade. Não deixe que seus contatos morram.

7. Nunca vá para uma entrevista com um headhunter se não se preparou adequadamente em todos os sentidos. Evite a superficialidade e o improviso. Portanto, procure causar a melhor impressão possível.

Reconheço que poderia dissertar sobre inúmeras outras recomendações que poderiam ser de grande valia por ocasião de sua transição de carreira. Entretanto, se o meu leitor deseja aprofundar os seus conhecimentos sobre esse assunto, sugiro que vá a uma boa livraria, adquira e leia o melhor livro que encontrar. Essa estratégia fará uma tremenda diferença em sua busca por nova posição via headhunters.

Fonte: http://empregocerto.uol.com.br/info/dicas/2010/01/04/ult7031u369.html#rmcl

Equipe Rh Automotive


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4 12 2010

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